sábado, 21 de novembro de 2009

SEMANARIO

- A polícia carioca mata cerca de 3 pessoas por dia e, de janeiro a setembro deste ano, já executou 805 pessoas, segundo os dados do Instituto de Segurança Pública do Rio colhidos nos relatos dos “autos de resistência”. Nesta década, foram cerca de 10 mil mortes realizadas pela polícia na “política de enfrentamento”, a se considerar que nem todos os óbitos são devidamente documentados. Não resta a menor dúvida de que a política de dizimação está direcionada à população negra que habita a geografia do enfrentamento – favelas e arredores, o que evidencia um verdadeiro genocídio contra negro.

- O Brasil é o quinto país no ranking de homicídios de jovens, mais atingidos os do sexo masculino e negros. Em seguida, vêm acidentes de trânsito e suicídios.

- O Estado do Pará estendeu aos presos homossexuais o direito de receber a visita íntima de seus companheiros, numa decisão inédita, motivada por requerimento de uma detenta. A portaria expedida pelo Sistema Penitenciário garantiu inclusive que a visita se realize no mesmo espaço destinado às visitas íntimas dos heterossexuais, ao fundamento do direito constitucional à igualdade e à garantia de visita íntima ao preso na Lei da Execução Penal.

- O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul admitiu o uso de uma carta psicografada por um médium como meio de defesa. A acusada Iara Marques Barcelos foi acusada de homicídio de um tabelião de notas em sua região. Segundo a carta exibida em plenário do júri, a própria vítima teria se comunicado através de um médium em um centro espírita reconhecido no local e não indicaria quem seria o autor dos disparos, mas “dava a entender” que não teria sido a acusada. A decisão do Tribunal não acolheu a tese da acusação de que a absolvição havia sido absolutamente contrária à prova dos autos.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

O Haver de Vinicius de Moraes, o mais humanista dos poetas



Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
Essa intimidade perfeita com o silêncio
Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo

– Perdoai!eles não têm culpa de ter nascido...

Resta esse antigo respeito pela noite, esse falar baixo
Essa mão que tateia antes de ter, esse medo
De ferir tocando, essa forte mão de homem
Cheia de mansidão para com tudo que existe.

Resta essa imobilidade, essa economia de gestos
Essa inércia cada vez maior diante do Infinito
Essa gagueira infantil de quem quer exprimir o inexprimível
Essa irredutível recusa à poesia não vivida.

Resta essa comunhão com os sons, esse sentimento
Da matéria em repouso, essa angústia da simultaneidade
Do tempo, essa lenta decomposição poética
Em busca de uma só vida, uma só morte, um só Vinicius.

Resta esse coração queimando como um círio
Numa catedral em ruínas, essa tristeza
Diante do cotidiano; ou essa súbita alegria
Ao ouvir passos na noite que se perdem sem história...

Resta essa vontade de chorar diante da beleza
Essa cólera em face da injustiça e do mal-entendido
Essa imensa piedade de si mesmo, essa imensa
Piedade de si mesmo e de sua força inútil.

Resta esse sentimento de infância subitamente desentranhado
De pequenos absurdos, essa capacidade
De rir à toa, esse ridículo desejo de ser útil
E essa coragem para comprometer-se sem necessidade.

Resta essa distração, essa disponibilidade, essa vagueza
De quem sabe que tudo já foi como será no vir-a-ser
E ao mesmo tempo essa vontade de servir, essa
Contemporaneidade com o amanhã dos que não tiveram ontem nem hoje.

Resta essa faculdade incoercível de sonhar
De transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade
De aceitá-la tal como é, e essa visão
Ampla dos acontecimentos, e essa impressionante

E desnecessária presciência, e essa memória anterior
De mundos inexistentes, e esse heroísmo
Estático, e essa pequenina luz indecifrável
A que às vezes os poetas dão o nome de esperança.

Resta esse desejo de sentir-se igual a todos
De refletir-se em olhares sem curiosidade e sem memória
Resta essa pobreza intrínseca, essa vaidade
De não querer ser príncipe senão do seu reino.

Resta esse diálogo cotidiano com a morte, essa curiosidade
Pelo momento a vir, quando, apressada
Ela virá me entreabrir a porta como uma velha amante
Mas recuará em véus ao ver-me junto à bem-amada...

Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto
Esse eterno levantar-se depois de cada queda
Essa busca de equilíbrio no fio da navalha
Essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo
Infantil de ter pequenas coragens.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

SEMANARIO

- A ONU postula providências contra o Zimbábue em razão da expulsão de seu especialista em tortura e outros crimes, Nowak, deportado ao desembarcar naquele País, nessa semana. O Zimbábue suspendeu a atuação das organizações não-governamentais, sofre com a escassez de alimentos, remédios e falência do sistema médico, com infecção de 100 mil pessoas por cólera no ano de 2008. A visita do representante da ONU tinha por finalidade pesquisar o comércio ilegal de diamantes, que financia guerras. Ele foi deportado ao desembarcar no aeroporto, para onde viajou a convite de uma autoridade governamental.

- Mulheres e homossexuais são os mais afetados pelas leis antiterroristas de alguns países, segundo relatório da ONU, sob a demanda da repressão ao terror, violações inúmeras: na Argélia, as mulheres que denunciaram violência sexual dos islamitas armados foram detidas; os transexuais foram atacados pelos insurgentes e pelos soldados sob alegação de contenção ao terrorismo; as palestinas têm demora no atendimento pelos médicos israelenses; mulheres e crianças são detidas para revelarem sobre seus parentes masculinos; a imigração é mais severa com as mulheres sob acusação de prestarem apoio material aos extremistas; os governos usam definições abstratas de terrorismo para infligir penas mais duras àqueles que não se enquadram nos papéis correlatos ao seu gênero e para suprimir movimentos sociais que busquem a igualdade de gênero.

- Ainda nessa onda do antiterrorismo, está sendo discutida nos EUA a prorrogação da vigência da Lei Patriota, aprovada após os atentados de 11 de setembro, que permite ao Governo espionar e vigiar inocentes, com flagrantes violações às liberdades fundamentais e aos direitos civis: possibilidade de o Estado expropriar bens sem autorização judicial; manutenção do “lobo solitário”, gravação de conversas de qualquer suspeito e a violação ao sigilo de dados, inclusive de servidores da internet, o que gerou a violação de dados também de pessoas e instituições não submetidas à investigação.

- A Polícia Rodoviária Federal mapeou regiões onde se pratica a exploração de menores – postos de combustíveis, boates, bares, restaurantes e o acostamento das estradas, totalizando uma extensão de 26, 7 Km, especialmente em Minas Gerais e Rio Grande do Sul. A PRF está preparando uma campanha a ser realizada nas estradas de prevenção e combate à exploração de menores entre caminhoneiros. Das rodovias estaduais, somente Pernambuco aderiu à proposta.

- O Banco Central do Brasil está empenhado em incluir os deficientes visuais no manuseio e identificação do dinheiro, segundo o modelo adotado pelo Canadá, em que tintas diferentes e invisíveis são inseridas em cada nota a ser lida por um sinal sonoro emitido por um aparelho portátil que lhes reconhece o valor, subsidiado pelo Estado. Atualmente, as notas exibem apenas marcas de relevo, que dificultam a leitura em braile, por seu desgaste.

-É tudo isso...