domingo, 24 de maio de 2009

A Petrobrás e seus "meninos"

Os patrocínios da Petrobras destinados aos projetos sociais à infância e adolescência estão concentrados nas administrações do PT, segundo o Jornal O Globo de hoje. Os contratos divulgados pela empresa perfazem cerca de onze milhões de reais que foram aplicados às instituições conveniadas à Fundação da Infância e Adolescência (FIA) e relacionadas às administrações do partido. Evidentemente, a empresa refuta indício de rateio político das verbas, sob o argumento de que os contemplados realizam projetos qualificados.

Não obstante, os números que ilustram a infância no Brasil são estarrecedores: os dados apurados pelo Conanda (Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente) estimam que cerca de cinco mil crianças residem na rua somente na cidade de São Paulo, sem considerar as que trabalham nas ruas e retornam a seus lares; o câncer é a maior causa da morte infantil no Brasil, o que induz à convicção de que muitos óbitos de crianças poderiam ser evitados diante de uma política social básica digna de acesso à saúde a que se lhes destinasse a prioridade conferida ao Estatuto da Criança e do Adolescente, especialmente em tema de prevenção.

Em matéria de dados, lamenta-se que o Brasil registre aproximadamente 23 mil crianças e adolescentes trabalhando, número dez vezes maior que os atendidos pelos projetos de Governo de transferência de renda, ainda muito incipiente para combater a exploração infanto-juvenil, para não entrarmos no mérito da exploração sexual e abusiva de menores que atinge o patamar impressionante de 30% de vítimas de abuso sexual, em todas as classes sociais e cujo combate é objeto de muitas das organizações contempladas com o repasse de verbas da estatal, especialmente as do Nordeste.

No outro extremo, a Rússia inspirada no rígido exemplo alemão impõe cerceamento ao deslocamento de menores entre 22h e 6h desacompanhados de adultos para diminuir a criminalidade, através da detenção dos jovens e imposição de multa a seus responsáveis, prática repugnante que subverte o efeito pela causa já fartamente refutada nesse espaço e mais uma vez invocada – criminalidade se previne com educação eficiente e oportunidades decorrentes de políticas sociais.

Ao caos a que a infância está submetida e que se extrai como fato notório, oriundo da mais simples observação do cotidiano, a Petrobras adota o discurso de que não é seu dever fiscalizar a aplicação das verbas aos órgãos públicos e ONG´s, sob o fundamento de que a atribuição seria do Ministério Público e dos conselhos municipais, estaduais e federais da criança e do adolescente, entretanto, pertine o registro de que sequer foram implementados em todos o Brasil, a despeito dos dezoito anos de vigência do ECA.

Se não ostenta a responsabilidade legal da fiscalização, poderia investir-se ao menos na responsabilidade social em face da alta relevância da matéria a exigir prestação de contas do dinheiro repassado a fim de confrontá-la com o avanço dos números à conferência de que o dinheiro destinado efetivamente está sendo usado na causa; no contexto, o retrocesso nos números que afetam a região do órgão financiado seria claro indício de mau emprego da verba pública. Se não há contrapartida, a prestação de contas deveria ao menos existir para estabelecer novos parâmetros de financiamento, afinal como se afere objetivamente o princípio da eficiência à hipótese?

É o mínimo de atuação pública que um administrador deve ao povo, porque o contrário instituído exibe bem o contexto: dou-lhe o dinheiro e gaste como lhe aprouver.

É, no mínimo, imoral.

3 comentários:

  1. Que bom que voltou. Essa situação é um absurdo, porque é verba pública. Agora, vamos combinar que o Ministerio Público age muito pouco nessas coisas de verbas públicas, prestação. Fora que eu acho também que tinha que variar as instituições por um tempo determinado, trabalhar mais com parcerias público-privadas.

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  2. O MP tinha que investigar melhor essas ongs, porque está muito sem controle, é uma alta verba que é repassada, tinha que ser um trabalho sério. Mas é Brasil, cara, tudo rola.

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  3. Eu nao acredito nessas organizações.

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